ENTREVISTA REVISTA MÁXIMA INTERIORES

Nos arredores de Mora, o cenário natural desta casa é um misto de vegetação exuberante, ribeiros e bambus com a planície a perder-se no horizonte.

"Já lá vão 12 anos desde que Graça Calderon, proprietária da loja Stoc Casa, em Lisboa, descobriu este monte alentejano, perto de Mora. "Foi por acaso que demos com esta casa, não era nada de especial, mas a zona cheia de vegetação era tão bonita que depois de vermos tanta coisa horrível, adorámos", conta a proprietária e acrescenta: "Há até quem ache que parece Sintra em pleno Alentejo, com muito verde e muita água."

Um imponente e viçoso plátano dá as boas-vindas junto ao portão. A copa oferece horas preciosas de sombra no Verão quente e no Inverno os troncos despidos também são uma presença forte. Graça e o marido deixaram-se seduzir por toda a envolvente natural, simultaneamente típica com uma vasta planície para trás da casa, e diferente com apontamentos de plantas exóticas, bambus e um ribeiro que atravessa o terreno.
A proprietária ocupou-se do projecto de reconstrução e renovação do monte. "A ideia era partir do que já existia, manter a traça da casa, mas à medida que se foi construindo, foi-se deitando tudo abaixo, porque persistiam alguns problemas como o salitre nas paredes", explica Graça que se formou em Design de Interiores, pelo IADE, e ganhou muita prática em gabinetes de arquitectura.
Originalmente, a casa era baixinha e de um piso térreo com terraço como é habitual nesta zona do país. Desde logo, houve a necessidade de prolongar o corpo da casa porque a prioridade era "fazer muitos quartos para poder ter amigos nossos e dos meus filhos", justifica Graça Calderon.

A bergere, o sofá azul, o assento das duas cadeiras e algumas almofadas são revestidos a tecido da Designers Guild, na Stoc Casa. O móvel em casquinha, comprado numa loja de velharias, foi recuperado. A mesa de centro é em teca.

O projecto inicial contemplou quatro quartos, uma sala de estar, duas casas de banho, uma cozinha e uma sala de jantar. Numa segunda fase, há cerca de cinco, seis anos, fechou-se o terraço e a casa cresceu em altura: "Em princípio, não era permitido fazer um primeiro andar, porque aqui na zona preserva-se muito a arquitectura, mas devido a problemas de infiltrações, derivados das grandes diferenças de temperatura, tivemos mesmo de fechar", esclarece a proprietária. Foi então que numa área de 50 metros quadrados se criou uma agradável suite com closet e uma varanda, que presentemente funciona quase como um apartamento independente.

Sobre o sofá, uma tela de Fernanda Pichiochi que retrata uma família. As bases dos candeeiros de mesa têm um boneco de madeira articulado e os abat-jours são em palhinha.

Os filhos, de 13 e 14 anos, cresceram praticamente nesta casa e hoje em dia gostam de ter aqui o seu espaço para estar com os amigos. A sala de estar é a divisão mais procurada pela família. "Naturalmente reunimo-nos muito aqui, porque é uma zona com muita luz, rodeada por janelas; de um lado temos vista para o jardim e do outro para um vale lindo", conta Graça que, no entanto, não esconde uma predilecção pela sala de jantar comunicante com a cozinha: "Há quem goste de ter uma sala comum, mas eu prefiro uma sala de jantar separada. E esta foi uma das razões que me fez ampliar a casa."
A decoração tem naturalmente muito a ver com o Alentejo, embora não seja uma casa de interiores tipicamente rústicos, conforme esclarece a proprietária: "Gosto de misturar. Por exemplo, na sala tenho uma bergère Luís XV num ambiente com muita cor." Cor, aliás, é um elemento essencial nos trabalhos e nas casas de Graça Calderon.
"Acho que é importante haver coisas neutras porque só assim a cor brilha, mas eu sinto muita necessidade de ter chamamentos de cor.
Os ambientes totalmente despojados e sem cor não me dizem nada", justifica e confidencia uma "fraqueza": "Tenho o problema de me saturar rapidamente das decorações, porque todos os dias vejo coisas novas e gosto de mudar e voltar a mudar. É viciante." É precisamente a cor, os pigmentos e em geral toda a arquitectura do sul que atraem Graça.

Por isso, algumas das suas opções decorativas, mais do que associadas ao Alentejo, estão intimamente ligadas ao seu estado de espírito.

A cabeceira da cama pintada na parede é uma solução muito económica e original. Os apliques em ferro vieram de Marrocos. A coberta da cama é de um tecido da Designers Guild que ditou toda a decoração do quarto do casal.

No geral, a casa tem os móveis básicos (sofás, mesa de jantar, cadeiras, camas de sommier e uma iluminação à base de candeeiros de cabeceira e apliques) e é com os objectos que a proprietária se perde. Por outro lado, são os tecidos que ditam toda a sua concepção de interiores. "Normalmente, parto de um padrão para definir tudo o resto. Por exemplo, no meu quarto, o tecido florido da Designers Guild na coberta da cama é que foi o ponto de partida." Uma das soluções mais originais nos quartos foi pintar as cabeceiras das camas na parede. Graça confessa que adora pintar paredes.

A cortina é uma toalha de chá com flores bordadas que se conjuga na perfeição com o tecido florido da Designers Guild que forra a cama e a banqueta sob a janela.

Nesta salinha destaca-se o pouf quadrado que se desdobra em cama, com um estrado de lâminas, da Stoc Casa. O sofá em cru tem uma manta de Marrocos. As cortinas azuis eram toalhas de mesa e os estores são em ripas de madeira.

Já a família não interfere muito, nem pouco, nas suas decorações. "É-lhes indiferente. Talvez porque já estejam habituados.
O envolvimento no projecto e na decoração da casa fariam prever que esta proprietária desenvolveu uma ligação forte com este refúgio alentejano, mas não é absolutamente verdade. "O que eu gosto mesmo é de fazer casas, depois gozá-las um bocado, mas logo a seguir já estou a pensar noutra coisa", explica e não se cansa de reforçar que o melhor deste projecto é mesmo a sua localização numa paisagem de excepção.
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